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O que você sente quando pensa em dinheiro?

Texto escrito pelos psicólogos Carollina Guilhermino e Tiago Azevedo, do Universo da Psicologia

De acordo com pesquisa do Itaú Unibanco em parceria com o Datafolha, 49% dos brasileiros evitam até mesmo pensar em dinheiro para não ficar triste.

A partir desta e de outras informações que o estudo levanta, percebemos que saber sobre dinheiro não basta para lidar bem com ele. Em outras palavras, educação financeira não é suficiente, precisamos também de educação emocional.

Se ainda não parece claro, pense na seguinte situação: você está cansado de saber que comer porcaria demais (açúcar, sal e gordura em excesso) e falta de exercícios físicos fazem mal a saúde. Porém, isto não é suficiente para mudar seu comportamento alimentar e de atividade física.

Isso ocorre porque estamos lidando com dois processos diferentes: cognição e emoção. Em outras palavras, estamos falando de pensamento e sentimento. São coisas diferentes, porém interligadas.

Também é bem fácil de entender que nós tendemos a evitar sentimentos ruins. Logo, se pensamentos sobre dinheiro levam a sentimentos ruins, tendemos a evitar pensar sobre dinheiro.

“Eu tenho medo de colocar na ponta do lápis o quanto eu devo, quanto que eu tenho de comprar parcelada, o que entra, o que sai, porque você fica deprimido. Então eu prefiro fingir não saber” relatou um dos entrevistados da pesquisa.

A negação é um mecanismo psicológico muito comum, que usamos o tempo todo. Evitar de pensar em algo tem a vantagem de evitar o sentimento que acompanha este pensamento, porém não pensar sobre o dinheiro pode gerar consequências piores.

Se, por exemplo, você pagar só a parcela mínima do cartão de crédito e não quer nem saber o valor da fatura total, também não saberá o tamanho da sua dívida (que crescerá a taxas astronômicas). No curto prazo, você evita o sofrimento, o que é bom. Mas no longo prazo, você enfrentará dificuldades cada vez maiores e …sofrimento.

Este impulso de evitar o sofrimento imediato é normal, e sempre carregaremos. Então, o  que podemos fazer para contrabalancear este impulso? Usar a racionalidade. Consciente de que cedemos ao impulso, devemos pensar racionalmente nas consequências, e considerar no AGORA o possível sofrimento futuro, assim, o sofrimento atual pode lhe parecer a melhor escolha.

Claro, não queremos sofrer nunca. Por isso fugimos tanto dos próprios sentimentos. Porém, o sofrimento é inevitável.

Talvez você queira não pensar neste fato agora, já que ele também pode te gerar um sentimento desagradável. Porém, evitar o sofrimento não resolve o problema. Pelo contrário, muitas vezes a solução é exatamente aceitar que o sofrimento é algo natural, mas que podemos superá-lo.

Isto pode parecer complicado e desagradável, mas você já faz isso sem perceber. Pegamos trânsito insuportável para chegar onde precisamos, acordamos cedo para ir trabalhar numa manhã fria, enfrentamos o medo para falar com algumas pessoas, fazemos provas e apresentações, temos conversas difíceis com pessoas que gostamos etc. Então por que fugir quando o assunto é dinheiro?

O dinheiro tem, além do óbvio valor de troca no mercado, valor para a vida como um todo. Ele pode te permitir ter uma vida confortável, tranquila, te permitir investir em coisas que você valoriza, como educação e saúde, te ajudar a ajudar quem importa pra você, como família, amigos e pets, pode te dar segurança (previdência, seguros etc) e por aí vai.

Evitamos pensar em dinheiro por causa dos sentimentos negativos que isso pode gerar. É o mesmo que ocorre quando você tem desafios que te deixam nervoso, ansioso, com medo, triste etc. Estes sentimentos não são desejáveis, mas são passageiros, e agir apesar deles te mantém em movimento, caminhando em busca de seus objetivos.

Para colocar em prática essa ideia, na próxima vez que você pensar em dinheiro e se sentir mal, lembre-se de que você não precisa fugir dos seus sentimentos e que pensar sobre o dinheiro é necessário e mais vantajoso no longo prazo. Abra espaço para seu sentimento como abre para um conhecido que te para no meio da rua (mesmo sendo indesejado).

Você pode aguentar o desconforto por um tempo, enquanto continua fazendo suas coisas. O sentimento, assim como o conhecido indesejado, pode te atrapalhar um pouco, mas pense: vale a pena parar sua vida e ter prejuízos por causa dele?

Assim como a saúde física exige um pouco de esforço e autocontrole, a saúde financeira também. Não deixe que os sentimentos desagradáveis parem na sua frente e te impeçam de continuar caminhando. Quando eles aparecerem, você pode te dizer: “Se quiser me acompanhar, vamos juntos, mas não posso parar”.

Gostou do texto? Veja mais textos da Carolina e do Tiago lá no Universo da Psicologia!

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