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Você provavelmente não aprendeu a investir com a sua avó

Se é apavorante ficar velha em nossa cultura, não é só porque se perde a beleza.” – Naomi Wolf. 

Sabe quando você lê uma informação tão surpreendente e assustadora que aquilo te impacta de tal forma que você fica com isso na cabeça por dias? 

Isso aconteceu comigo a algum tempo enquanto lia “O mito da beleza – como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres” da Naomi Wolf. 

O foco do livro, como o título esclarece, é o mito da beleza. Mas, uma passagem especial, que não trata disso diretamente, me causou grande impacto e reflexão e ficou comigo por meses – lá vem dados: 

“Um terço das pessoas que vivem sós nos Estados Unidos é composto por mulheres idosas, a metade das quais tem menos de USD 1 mil de poupança. Um economista escreveu que ‘se você for mulher, existe uma probabilidade de 60% de você ser pobre na velhice’. A renda média de uma norte-americana idosa era 58% da renda dos homens da mesma idade. Na Grã-Bretanha, as idosas sozinhas somam quatro para cada homem idoso sozinho; e dentre elas, mais do dobro, em relação aos homens, precisa de auxílio financeiro oficial (…) se é apavorante ficar velha em nossa cultura, não é só porque se perde a beleza.”

Como o livro é da década de 90, os dados apresentados estão um pouco defasados, mas o cenário atual não mostra melhorias substanciais. Exemplo disso, o número de mulheres idosas morando sozinhas nos Estados Unidos caiu apenas 3% (nesses quase 30 anos)

Questionando e refletindo sobre esses dados, essa triste realidade de muitas mulheres  que atingiram a velhice na década de 90 é tristemente lógica: as mulheres de forma geral recebem menos pelo seu trabalho, enfrentam mais pausas na carreira por causa dos filhos, têm expectativa de vida mais alta do que homens. Além disso, de forma geral, não receberam educação para administrarem suas finanças e terem a autonomia de planejar seu futuro. 

E tudo isso impacta diretamente no bem-estar da mulher na velhice.

Estima-se que a “paridade de gênero”, que envolve dimensões como igualdade econômica, política e educacional, só será atingida daqui 136 anos

Enquanto esses avanços no “macro” e mudanças estruturais, acontecem de forma devagar, a gente precisa fazer mudanças comportamentais também para superar a desigualdade de gênero. E discutir temas como esse.  

Faz parte do nosso empoderamento cuidar do que é nosso, cuidar do dinheiro que a gente ganha. Faz parte do nosso empoderamento pensar na nossa velhice e ter nosso futuro como prioridade. Faz parte do nosso empoderamento aprender, ter autoconfiança e autonomia, para investir nosso dinheiro e ser independente. 

Pelos dados e a realidade patriarcal brasileira, você provavelmente não aprendeu a investir com a sua avó, mas você pode ser a primeira (ou, com sorte a segunda) geração de mulheres da sua família a falar de finanças, a investir pensando no futuro, a começar a garantir hoje o dia de amanhã. 

E isso é desafiador. Mas é desafiador no sentido bom também, de ter a informação e capacidade de fazer uma mudança importante acontecer. 

Aproveitando o dia internacional da mulher, uma data de luta e reflexão, eu te convido a refletir sobre isso: o que você precisa fazer hoje pensando no seu eu-futuro?

 

por Fernanda Guilhermino, fundadora da Oinc.

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